A palavra dos ex-governadores

SURPRESOS, LOMANTO JÚNIOR, ROBERTO SANTOS E WALDIR PIRES LAMENTAM EXTINÇÃO DO ÓRGÃO   QUE AJUDARAM A MANTER

Apontado como o governador que mais investiu no Derba e valorizou seus funcionários, Lomanto Júnior considerava o Derba uma grande escola de engenharia, como assinala o filho dele, o administrador de empresas, Lomanto Neto. A reportagem deste jornal não pode conversar com o ex-governador que, aos 90 anos de idade, convive com lapsos de memórias e de lucidez, porém Lomanto Neto, o Lomantinho, falou pelo pai. “Se estivesse lúcido, meu pai diria que a extinção do Derba foi um grande crime”, afirma Lomantinho.

Ele disse ter ouvido muitas vezes do ex-governador, que mora em Jequié, que pelo Derba passaram os grandes empresários da engenharia civil na Bahia. Lomantinho lembra que as residências do Derba em Jequié e Feira de Santana, a maior de todas, foram construídas na gestão de Lomanto Júnior, bem como as estações rodoviárias de Feira de Santana e de Itabuna. “Meu pai construiu mais de 2 mil kms de estradas asfaltadas na Bahia. A principal delas foi a que liga Feira de Santana a Juazeiro, o maior estirão já feito no Estado, tão importante que mudou o Plano Rodoviário Nacional”.

O ex-governador Roberto Santos disse ter ficado “realmente surpreso” com a extinção do Derba, “um dos primeiros órgãos a ser bem estruturados na Bahia e que prestou relevantes serviços ao Estado”. Ele destacou a excelente qualificação de seu pessoal na construção e manutenção de rodovias, e manifestou preocupação com o futuro da malha rodoviário baiana. Durante sua administração foram feitos 1054 km de pavimentação, 1.290 de revestimentos primários e construídos 3.326 metros de pontes.

Já o ex-governador Waldir Pires considerou o fim do Derba “uma negligência para com a estrutura administrativa do Estado, pois a Bahia tem uma extensão rodoviária importante pata todo o país”. Waldir destacou que “o Derba era um órgão empreendedor, com uma estrutura administrativa organizada, profissionais competentes, dedicados e com uma vinculação importante e estreita com o serviço público”. Ele lembrou que contratou, em caráter de emergência, 600 servidores, 30 para cada residência, para atender as demandas das estradas, carentes de conservação e manutenção.

O ex-governador ressaltou ainda que o órgão sempre contou com uma equipe de engenheiros “absolutamente especializada que ajudou a fazer do Derba um patrimônio de toda Bahia”. Um desses engenheiros é Carlos Alberto Dantas Mendes, que foi secretário de Transportes e Comunicações no governo do próprio Waldir. É o ex-secretário quem afiança: “O Derba teve a melhor equipe de projetos do Brasil”. Dantas Mendes prevê que “a Bahia vai pagar um alto custo por esta leviandade, já que a atuação do Derba resultava em economia para os cofres públicos”.

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