“Organizações como o DERBA honram a administração pública”, reconheceu Juracy Magalhães.

Autêntico reconhecimento da importância histórica do órgão e do valor dos seus funcionários, um dos maiores elogios ao Derba foi feito pelo governador Juracy Magalhães.  Num discurso de agradecimento a homenagem que os servidores da autarquia lhe prestaram, pouco antes de transferir o cargo para seu sucessor, Lomanto Júnior, Juracy Magalhães reconheceu: “O pessoal do Derba trabalha com a convicção de quem constrói catedrais”.

No discurso, proferido na Estação Rodoviária de Salvador, em 29 de março de 1963, Juracy Magalhães prosseguiu: “É por isso que o trabalho do Derba rende – há o espírito de equipe. O Derba não tem tiranos. É uma organização democrática. O companheiro é escolhido para dirigir os seus destinos e recebe o apoio consciente de todos os seus companheiros, sem nenhuma preocupação de influência partidária”. Por essa razão, diz o governador em final de mandato – como se falasse da atual  Petrobras, dilapidada pela corrupção – “é preciso deixar o Derba incontaminado de influências políticas, pois, quando a política partidária ingressa em uma organização como o Derba, ela vai à falência”

Juracy Magalhães ressaltou que “o Derba trabalhava e trabalhava bem, apesar dos governos”. “Eu palmilhei as estradas da Bahia com a equipe do Derba, visitei as residências e senti o conceito público do qual se firmava  que, hoje, o viajante largava as estradas federais e procurava as estradas estaduais, porque estas eram mais bem conservadas”, afirmou o governador. Juracy reconheceu ainda que se houve um setor em que a sua administração, triunfou de forma indiscutível, “foi o Derba, e é preciso que se proclame este êxito para estímulo daqueles que procedem bem no serviço público”.

Leia, na íntegra o discurso de despedida de Juracy Magalhães:

Autoridades presentes, senhores engenheiros e funcionários do DERBA:

Estou de partida, depois de quatro anos de árduo labor, e, nesse momento, evoco o discurso que proferi quando se iniciou a campanha política que me levou ao Governo do Estado.

Contava eu, naquela reunião que passou a ser o primeiro comício da minha campanha, a história que me fora narrada por um emérito professor – Lourenço Filho -, no propósito de mostrar o valor da integração do indivíduo no trabalho que ele realiza. Contava Lourenço Filho que alguém visitou uma obra e indagou do primeiro operário o que ele estava fazendo. Respondeu: “Estou ganhando o pão com o suor do meu rosto”. Dirigiu-se ao segundo e ouviu a afirmação de que estava empilhando tijolos. Ao chegar ao terceiro, ao ser indagado este o que estaria fazendo, iluminou os olhos, olhou para o infinito e respondeu: “Estou construindo uma Catedral”.

O pessoal do DERBA trabalha com a convicção de quem constrói uma Catedral. É por isso que o trabalho do DERBA rende – há o espírito de equipe. O DERBA não tem tiranos, o DERBA é uma organização democrática. O companheiro que é escolhido para dirigir os seus destinos recebe o apoio consciente de todos os seus companheiros, sem nenhuma preocupação de influência partidária.

Quando a política partidária ingressa numa organização como o DERBA, ela vai á falência.

É preciso deixar o DERBA incontaminado de influências políticas. Eu já encontrei o DERBA bem organizado antes de assumir o Governo, quando o DERBA já existia bem em Governos anteriores e, graças a Deus, no meu Governo teve uma produtividade bem maior porque os recursos normais do DERBA que eu ainda pude obter de outras fontes para entregar às mãos honradas dos dirigentes e funcionários desta organização (palmas).

Relembrou o Chefe do DERBA, o Diretor Flaviano da Silva Guimarães, uma frase uma frase minha de que o DERBA trabalhava e trabalhava bem, apesar dos Governos. Esta frase eu repito hoje, depois de um convívio mais profundo com esse admirável servidor público, Dr. Armando Vianna de Castro.

Eu palmilhei as estradas da Bahia com a equipe do DERBA, visitei as Residências e senti o conceito público no qual se afirmava que, hoje, o viajante largava as estradas federais e procurava as estaduais, porque estas eram melhor conservadas e meu depoimento para a Bahia e para o Brasil é de que organizações como o DERBA honram a administração pública. Eu não sou o entusiasta da administração do Estado, eu vejo os estabelecimentos industriais do Estado serem transformados em cabides de empregos, reduzida a produtividade e desfeita a solução técnica de seus elementos quase como regra geral. É difícil que haja um administrador que proceda como eu procedi na Bahia, comprando dez navios para a Companhia de Navegação Bahiana e não nomeando um taifeiro para a Empresa (palmas).

Nas outras organizações do Estado que triunfaram foi porque a politicagem daninha nelas não se infiltrou – onde a politicagem se infiltra numa organização do Estado, ela vai fatalmente à falência.

Eu recebo este álbum de realizações do meu Governo e irei guardá-lo na minha casa para a lembrança de um dos setores que mais onde a minha administração triunfou, porque a minha obra de homem é falha como toda obra humana. Há setores em que sinto que triunfei. Há setores que não satisfizeram ao povo, nem tampouco a mim. Eu sei fazer autocrítica, não preciso de ninguém que me aponte os erros da minha administração.  Eu senti que eles não se processaram por minha culpa, nem com o meu consentimento, mas quando existe um setor onde o triunfo foi indiscutível, como esse Departamento de Estradas e Rodagens da Bahia, é preciso que se proclame este êxito para estímulo daqueles que procedem bem no serviço público (palmas).

Meu caro Armando Vianna de Castro e meu caro Flaviano da Silva Guimarães, vocês são, talvez, os dois mais velhos da equipe do DERBA, mas o DERBA vai-se renovando. Ainda há pouco, conversávamos que, no meu Governo, o DERBA mandou oito técnicos para o estrangeiro, para se abeberaram naquelas fontes mais puras dos mais adiantados conhecimentos técnicos. Nenhuma organização como o DERBA pode deixar de acompanhar o progresso de todas as partes do mundo. Procedi com o DERBA da mesma forma como fiz com a Vale do Rio Doce – organizei uma equipe de jovens engenheiros que levaram aquela companhia a prosperidade antes não atingida por nenhuma empresa do Brasil, e só se obtém prosperidade com continuidade administrativa e esta equipe teve do DERBA afigura continuidade administrativa nesta obra meritória de dar boas estradas à Bahia.

Assim senhores engenheiros, senhores funcionários do DERBA, eu vos agradeço a homenagem desta noite. Era uma homenagem desnecessária porque nós nos conhecemos pelo trabalho em que, reciprocamente, passamos a nos estimar, mas recebo esta homenagem e vos restituo com um conselho o bem que me fazeis esta noite: conservai este admirável espírito público e esta devoção pelo DERBA; continuai unidos por uma equipe onde politicagem malsã não entrará; prossegui com esta força que é a honestidade de propósitos assegurada durante todo o meu Governo. Nunca ouvi dizer que empreiteiros fossem subornar engenheiros e técnicos do DERBA – este é um depoimento que dou para a Bahia e para o Brasil e oxalá que a administração pública tivesse organizações da capacidade técnica do DERBA, da honestidade, da devoção à causa pública como tem o Departamento de Estradas e Rodagens da Bahia (palmas).

Este é o meu agradecimento.

Continuarei acompanhando de longe a vida pública da Bahia e tenho certeza de que o vosso espírito há de conduzir por diante esta obra admirável e, no  momento em que a Bahia vai receber uma nova administração, sob a direção do jovem político e futuro governador Lomanto Júnior, nos todos devemos confiar que ele há de ter interesse em que o DERBA, na sua administração, produza mais do que produziu na minha, porque este é o sentido do aperfeiçoamento humano – cada um sucede deve fazer mais do que o sucedido. Se Lomanto Júnior der ao DERBA a autoridade que eu dei, eu não tenho dúvidas der que os números produzidos pelo DERBA no seu trabalho técnico hão de demonstrar que o DERBA existe apesar dos Governos, existe como uma força autônoma, patriótica, que levará a Bahia a dispor de um sistema rodoviário que honrará no cenário da vida nacional.

Com os meus agradecimentos, fica a minha palavra de estímulo para que o DERBA não mude. Basta o DERBA continuar como é para realizar uma tarefa de que a Bahia sempre há de se orgulhar (palmas).

Facebook Comments