“RODOVIA DA MORTE”: BR-101 É A ESTRADA MAIS LETAL DA BAHIA

Acidente, com vítima fatal, na BR-101.

Foram 156 mortes em 2017; confira ranking com vítimas fatais nas BRs e BAs

Com 156 mortes em 2017, a BR-101 é a que mais teve acidentes com vítimas fatais no ranking das rodovias federais e estaduais na Bahia, no ano passado. Os trechos mais perigosos, segundo a PRF, são na divisa entre Espírito Santo e Bahia, no km 957, até Itamaraju (km 806), passando por Teixeira de Freitas (km 880); o trecho iniciado no km 793, em Itamaraju, até o 717, em Eunápolis, passando por Itabela (km 745) e Itagimirim (km 702). Depois da 101, a rodovia que ocupa o segundo lugar no número de mortes é a BR-116, com 147 registros. Ambas recebem cerca de 5 mil veículos diariamente. A 116 – administrada pela concessionária Via Bahia – é mais bem conservada e possui menos curvas perigosas, segundo a PRF. Já a 101, líder do ranking, administrada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Trânsito (Dnit), é toda em pista simples, mais precária e próxima do litoral, onde chove mais, o que dificulta a visibilidade dos motoristas e deixa a pista escorregadia.

Além da 101 e da 116, a BR-324 registrou 57 mortes em 2017, seguida pelas BRs 242 (51 vítimas fatais) e a 110, onde 43 pessoas morreram. Estatisticamente, o tipo de acidente que mais deixa vítimas fatais é a colisão frontal, afirma a PRF, em nota. Foi o que aconteceu em Itabuna, no domingo.

Estradas estaduais

No ranking das cinco estradas estaduais que mais mataram em 2017, informado pela Secretaria de Infraestrutura da Bahia (Seinfra), a que lidera, com 31 mortes, é a BA-099, que compreende a Estrada do Coco e a Linha Verde, conectando Lauro de Freitas até a divisa dos Estados da Bahia e Sergipe. A via, com extensão de 217 km, é gerida pela Concessionária Litoral Norte (CLN).

No ranking das mortes, em seguida, vêm as BAs 001 (29 mortes), 130 (19) e a 052 e a 120, ambas com 17 mortes em 2017.

No total, 880 pessoas morreram nas estradas baianas em 2017, a maioria delas nas rodovias federais: 575. O número, porém, vem reduzindo nas BRs desde 2012, quando foram registradas 849 mortes nas federais. Foram 4.269 vítimas fatais de 2012 a 2017 nas rodovias federais. No mesmo período, nas estradas estaduais, houve 1.955 mortes. Em média, em cinco anos, foram 3,4 mortes por dia nas estradas do estado.

Razões

“Embora apareça na nona posição entre as ocorrências mais frequentes, a colisão frontal é a primeira em número de vítimas fatais. Por isso, as ultrapassagens irregulares são práticas fiscalizadas intensamente pela PRF e devem ser evitadas pelos motoristas”, explica a nota da PRF.

Outras causas importantes vitimam um número expressivo de pessoas, como a saída de pista provocada pelo excesso de velocidade, as colisões traseiras, laterais e transversais causadas pela falta de atenção em conversões, cruzamentos e mudanças de direção.

Acidentes com motocicletas, como o que matou Gilmagno há um ano, também contribuem para o número de mortes nas rodovias, destaca a PRF – segundo o órgão, o não uso de equipamentos de segurança, sobretudo capacete, o excesso de passageiros e a inobservância das regras de trânsito são fatores que contribuem para as mortes.

Já nas estradas estaduais, a Seinfra destacou, em nota, que “a falta de atenção é a maior causadora de ocorrências, respondendo por 70% dos registros”.

Segundo a 21ª Pesquisa CNT de Rodovias, divulgada em 2017, 64,8% (5.745 km) de vias têm algum tipo de deficiência no estado (regular, ruim ou boa). Apenas 35,2% das rodovias (3.121 km) tiveram um ótimo ou bom. As rodovias da Bahia (estaduais e federais) somam 8.866 km de extensão, segundo informações da Confederação Nacional do Transporte (CNT).

O estado geral inclui a avaliação conjunta do pavimento, da sinalização e da geometria da via. De acordo com a pesquisa, o acréscimo do custo operacional devido às condições do pavimento chegou a 23,5% no transporte rodoviário da Bahia. A pesquisa estima que só para as ações emergenciais de reconstrução e restauração das vias são necessários R$ 2,40 bilhões. Já para a manutenção dos trechos desgastados, estima-se um custo de R$ 1,78 bilhão.

Fonte: Jornal Correio*, de 17 de janeiro de 2018

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